A sociedade humana moderna depende fundamentalmente da excelência/efetividade das organizações para sobreviver.Toda organização tem "razão social para existir". Há inúmeros exemplos nos quais a incompetência e o descaso de determinadas organizações no exercício de sua função social redundaram, não apenas em inconvenientes, mas em fatalidades.
Imagine-se o número de pessoas que perdem a vida por má gestão de instituições hospitalares. Quantos não são prejudicados por erros de projeto ou pela prestação de serviços de má qualidade. Quantos, em países menos aquinhoados pelo poder e pelo dinheiro, não perdem o seu ganha-pão, altamente dependente de recursos naturais como peixes e produtos passíveis de extrativismo sustentável devido a ações ambientalmente irresponsáveis das empresas.
As organizações devem ser bem geridas para a realização do bem comum. Não há países pobres nem ricos, há países bem administrados ou mal administrados. Não há setores de atividade econômica bons ou maus. Há os que são bem ou mal liderados. Não há organizações bem sucedidas sem boa gestão. A boa gestão redunda em operações consequentes, bem sucedidas e que levam as organizações a contribuir para a satisfação de todos os públicos interessados: clientes, acionistas, funcionários, parceiros e a sociedade. Enquanto segmento do conhecimento humano, a área de Gestão de Operações procura pesquisar e difundir conceitos e técnicas para o projeto de produtos, processos e sistemas de agregação de valor, conceitos e técnicas para o planejamento e controle do funcionamento destes sistemas de agregação de valor e conceitos e técnicas para o aperfeiçoamento dos sistemas de agregação e valor. Num sentido lato, somos todos gestores de operações. Todos temos que lidar com recursos de transformação (mão de obra, máquinas, informação, etc.) e recursos a transformar (matéria prima, pacientes, filhos, clientes, informação...) Todos podemos aprender com o que se ensina e se publica nesta área que procura fazer mais com menos. E fazer bem feito.
Peter Drucker diz que a consecução da efetividade organizacional demanda atuação eficaz e eficiente em todos os processos importantes pelas quais a organização é responsável. A eficácia é o "fazer as coisas certas" e a eficiência é o "fazer certo as coisas".
Uma exacerbada preocupação com a eficiência, com o fazer certo as coisas, tem levado muitas organizações a perderem muito de sua eficácia. Uma má interpretação dos ensinamentos da área de Gestão de Operações pode contribuir para este resultado. Fazer as coisas certas, ou identificar os caminhos certos a percorrer, tarefa do planejamento e gestão estratégica, inclui a escolha dos mercados nos quais atuar, das tecnologias de produto e processo a desenvolver ou adquirir e adotar, das parcerias estratégicas a implementar, etc. Cada decisão pode redundar em ônus ambiental.
A biosfera, um maravilhoso e complexo sistema fechado e de diminutas dimensões, frente às dimensões do planeta Terra, tem sofrido brutalmente com o aumento da população e com a sofisticação dos hábitos de consumo.
A difusão e a aceitação tácita, inconsciente, das premissas da economia clássica, aliada a um excessivo apego ao dinheiro, ao poder e aos bens materiais, é provavelmente o fator isolado que mais contribui para a destruição do planeta. A globalização, que carrega em seu bojo a premissa da oportunidade de mobilidade social, acesso á informação e progresso, também pode ser entendida como a disseminação do capitalismo selvagem em escala planetária.
No início da revolução industrial havia matéria prima em relativa abundância, frente á demanda existente. O que faltava era mão de obra especializada. Hoje o que mais preocupa muitas indústrias é a escassez de matéria prima. A indústria da pesca e a indústria moveleira são exemplos disso. O que aparenta sobrar é mão de obra. O sonho de muitos jovens administradores é entrar em uma grande empresa, "racionalizar" os processos e dispensar boa parte da mão de obra melhorando o desempenho dos indicadores de produtividade da mão de obra. São chamados por alguns autores de "gerentes de denominadores". Já que não podem melhorar muito o numerador do indicador de produtividade (faturamento, por exemplo) eles reduzem o denominador (número de funcionários). Os custos da extração de uma tonelada de minério leva, em geral, apenas o valor da mão de obra empregada, do aluguel das máquinas e outros custos indiretos mas não leva em conta as chamadas "externalidades". Quanto custa recuperar a floresta que destruí? Quanto custa resolver o problema social que causei poluindo o rio, matando seus peixes e tirando o sustento de pescadores a jusante? São "externalidades". A sociedade que se vire.
Artistóteles dizia que a razão do homem existir é "ser feliz". Para isso deveria procurar cultivar a saúde, a amizade, o conhecimento, a riqueza, a "boa sorte" e as virtudes. Quatro delas morais e duas intelectuais. As morais: coragem (disposição em assumir as responsabilidade, encarar de frente os problemas), moderação (saber ficar com a sua "justa" parte e deixar alguns "pedaços de pizza" para os demais. Não comer tudo sozinho), prudência (pensar no dia de amanhã)e justiça (tratar desigualmente os desiguais, dar a cada um o que precisa ou merece). As virtudes intelectuais: empatia (saber se colocar no lugar dos outros, entender seu ponto de vista) e sabedoria (saber aplicar o conhecimento no momento certo). Reflexões para o mundo de hoje!
É urgente que os currículos incluam módulos sobre Ética e Economia Ambiental , especialmente os das escolas das de Administração e Economia. É fundamental que os que decidem nas organizações tenham a exata dimensão das conseqüências e e dos custos de decisões mal tomadas. É essencial que os que defendem a causa da vida na Terra, e a da sobrevivência de nossa espécie, aprendam a apresentar os fatos na linguagem que os que decidem e entendem: a linguagem do dinheiro.
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